Principais sintomas dos traumas

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Quando o nosso sistema nervoso nos prepara para enfrentar o perigo, ele passa a funcionar em estados de alta energia. O sistema nervoso voltará a um nível normal de funcionamento se pudermos descarregar essa energia enquanto nos defendemos ativa e efetivamente da ameaça (ou logo depois do fato ameaçador).

A nossa sensopercepção será de inteireza, satisfação e heroísmo. Se não formos bem-sucedidos ao lidar com a ameaça, a energia permanecerá em nosso corpo. Assim, criamos um dilema autoperpetuante. Num nível fisiológico, nosso corpo e mente trabalham juntos como um sistema integrado. Sabemos que estamos em perigo quando percebemos uma ameaça externa e nosso sistema nervoso fica muito ativado.

A percepção de uma ameaça real sinaliza o perigo, e o mesmo ocorre com o estado ativado (mesmo sem a percepção). Você recebe a mensagem de que está em perigo não só por meio daquilo que realmente vê (mesmo perifericamente), mas também pelas sensações que vêm da experiência visceral inconsciente de seu estado fisiológico.

A pessoa ameaçadora que vem em sua direção sinaliza o perigo, mas o mesmo acontece com o fato de seu corpo estar respondendo com um aumento dos batimentos cardíacos, com tensão nos músculos do estômago, com uma percepção consciente mais intensa e mais constrita de seu ambiente imediato, e com um tônus muscular alterado (em geral). Quando a energia desse estado altamente ativado não é descarregada, o organismo conclui que ainda está em perigo. O efeito dessa percepção sobre o organismo é que ela continua a estimular o sistema nervoso para sustentar e aumentar o nível de preparação e de ativação.

Quando isso acontece, começam os sintomas debilitantes do trauma. O sistema nervoso ativa todos os seus mecanismos fisiológicos e bioquímicos para lidar com a ameaça, entretanto ele não pode sustentar esse nível elevado de ativação sem a oportunidade ou os meios para responder efetivamente. O sistema nervoso é incapaz de descarregar a energia sozinho. Isso cria um ciclo de ativação autoperpetuante que irá sobrecarregar o sistema se continuar indefinidamente. O organismo precisa encontrar um modo de sair do ciclo criado pela percepção do perigo e da ativação que o acompanha, e de restabelecer o seu equilíbrio. O fracasso ao realizar isso leva à patologia e ao enfraquecimento, à medida que o organismo compensa o seu estado ativado pelas manifestações que, agora, são reconhecidas como os sintomas do trauma.

O sistema nervoso compensa o fato de estar num estado de ativação autoperpetuada desenvolvendo uma série de adaptações que finalmente aglutina e organiza a energia em “sintomas”. Essas adaptações funcionam como uma válvula de segurança para o sistema nervoso. Os primeiros sintomas do trauma normalmente aparecem logo depois do fato que os causou. Outros se desenvolvem com o passar do tempo.

Como já mencionei, os sintomas do trauma são fenômenos energéticos que ajudam o organismo, ao lhe proporcionar um modo organizado para administrar e aglutinar a tremenda energia contida tanto na resposta original a ameaça quanto na resposta autoperpetuada.

Fazer uma lista completa de todos os sintomas de trauma conhecidos seria uma tarefa impossível, por causa da singularidade da experiência de cada indivíduo. Contudo, existem sintomas que são uma indicação de trauma porque são comuns à maioria das pessoas traumatizadas. O sistema nervoso parece preferir alguns sintomas, apesar do grande número de possibilidades.

De modo geral, alguns sintomas costumam aparecer primeiro. No último capítulo discutimos os primeiros sintomas que se desenvolvem (o núcleo da reação traumática):
– hiperativação;
– constrição;
– dissociação (inclusive negação);
– sentimentos de impotência.

Outros sintomas iniciais que começam a aparecer ao mesmo tempo ou logo depois dos mencionados são:
– vigilância exagerada (estar “em prontidão” o tempo todo);
– imagens invasivas ou flashbacks;
– sensibilidade extrema à luz e ao som;
– hiperatividade;
– respostas emocionais e de susto exageradas;
– pesadelos e terrores noturnos;
– mudanças repentinas de humor: por exemplo, reações de fúria ou acessos de raiva, vergonha;
– diminuição da capacidade de lidar com o estresse (fica estressado facilmente e com frequência);
– dificuldade para dormir.

Vários desses sintomas podem aparecer também na fase de de- senvolvimento seguinte, bem como na última. A lista não tem propósitos de diagnóstico; é um guia para ajudá-lo a sentir como os sintomas do trauma se comportam. Os sintomas que geralmente ocorrem nesse próximo estágio de desenvolvimento incluem:
– ataques de pânico, ansiedade e fobias;
– “branco” mental ou “devaneios”;
– resposta de susto exagerada;
– sensibilidade extrema à luz e ao som;
– hiperatividade;
– respostas emocionais exageradas;
– pesadelos e terrores noturnos;
– comportamentos de aversão (evitar determinadas circunstâncias);
– atração por situações perigosas;
– choro frequente;
– mudanças repentinas de humor: por exemplo, reações de fúria ou acessos de raiva, vergonha;
– atividade sexual exagerada ou diminuída;
– amnésia e esquecimento;
– incapacidade de amar, cuidar, ou se ligar a outras pessoas;
– medo de morrer, de ficar louco, ou de ter uma vida curta;
– diminuição da capacidade de lidar com o estresse (fica estres- sado facilmente e com frequência);
– dificuldade para dormir.

O grupo final de sintomas inclui aqueles que geralmente demoram mais para se desenvolver. Na maioria dos casos, foram precedidos por alguns dos sintomas anteriores. Você deve ter percebido que alguns sintomas aparecem nas três listas. Não há uma regra fixa que determine qual sintoma o organismo irá escolher, ou quando irá fazê-lo. Lembre- se, nenhuma dessas listas é completa. Os sintomas que em geral se desenvolvem por último são:
– timidez excessiva;
– respostas emocionais diminuídas ou silenciadas;
– incapacidade de se comprometer;
– fadiga crônica ou energia física muito baixa;
– problemas do sistema imunológico e alguns problemas endócrinos, tais como disfunção da tireoide;
– doenças psicossomáticas, especialmente dores de cabeça, problemas no pescoço e nas costas, – – asma, problemas digestivos, espasmos do cólon e síndrome pré-menstrual grave;
– depressão, sentimentos de catástrofe iminente;
– sensação de desligamento, alienação e isolamento – “morto- vivo”;
– diminuição do interesse pela vida;
– medo de morrer, de ficar louco, ou de ter uma vida curta;
– choro frequente;
– mudanças de humor repentinas, por exemplo, reações de fúria ou acessos de raiva, vergonha;
– atividade sexual exagerada ou diminuída;
– amnésia e esquecimento;
– sentimentos e comportamentos de impotência;
– incapacidade de amar, cuidar, ou se ligar a outras pessoas;
– dificuldade para dormir; e
– diminuição da capacidade de lidar com o estresse e de formular planos.

Obviamente, nem todos esses sintomas são causados exclusiva- mente pelo trauma, nem todas as pessoas que têm um ou mais desses sintomas foram traumatizadas. Por exemplo, a gripe pode causar mal- estar e desconforto abdominal semelhante aos sintomas do trauma. Entretanto, há uma diferença; os sintomas produzidos pela gripe ge- ralmente duram apenas alguns dias. Aqueles produzidos pelo trauma são de período prolongado.

Os sintomas do trauma podem ser estáveis (sempre presentes), instáveis (aparecem e desaparecem), ou podem se ocultar por décadas. Em geral, esses sintomas não aparecem de modo isolado, mas em grupos. Essas “síndromes” frequentemente ficam cada vez mais complexas com o passar do tempo, tomando-se cada vez menos ligadas à experiência original de trauma. Embora alguns sintomas possam sugerir um tipo específico de trauma, nenhum sintoma é uma indicação exclusiva do trauma que o causou.

As pessoas irão manifestar os sintomas traumáticos de vários modos, dependendo da natureza e da gravidade do trauma, da situação em que ele ocorreu, e dos recursos pessoais e de desenvolvimentos que estavam disponíveis para o indivíduo no momento da experiência.

Trecho do livro ‘O despertar do tigre: curando o trauma'” de Peter A. Levine e Ann Frederick. Saiba mais sobre o livro clicando na imagem a seguir.

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