Perdão, minha filha

Não costumo escrever poesia ou poemas, este texto veio por inspiração anos atrás. Estava sentado na sala, quando uma imagem se desenhou em minha mente. Um homem, desalinhado, aspecto aflito, caminhava escorando-se no muro de uma rua escura, conversava consigo mesmo, falava baixo, queria chamar a atenção dela, buscava a atenção da moça que caminhava a frente, sem lhe dar a mínima atenção….
 Quando a imagem se apagou, peguei a caneta e escrevi. Ofereço este poema a todos os pais e filhos.
Mulher sem nome
 Ao ver você passar pela rua apressada, recordei-me de ti. Ainda criança, Olhinhos atentos e mãos buliçosas. Eras o encanto de nossa casa. Lembro-me dos seus primeiros passos. Duma parede à outra, quilômetros de distância. Após os tombos, o sorriso era gostoso. Eras sempre bem sucedida na caminhada.
Depois, a escola, os namorinhos. Tudo era festa e emoção. Cada dia uma novidade, um desejo. Vestidos, sapatos, sonhos. Doce ilusão.
 Porque esquentar a cabeça, repetias, balançando e jogando para o lado os seus lindos cabelos.
Cabelos que eu acariciei, em muitas noites, enquanto dormias.
Noutras noites, você saía, com aquele jeito brejeiro, levando para longe, sua graça e beleza.
 Chegavas cansada e irritada, com tudo e todos. Jogava-se na poltrona e lá ficava, isolada.
Tive vontade de levantar seu rosto e olhando firme pedir um minuto de atenção, para dizer o que eu sentia. Um minuto só.
Mas não tive coragem. Porque atormentar seu coraçãozinho com idéias de gente grande. É preciso que ela gaste energias, passeie. É a vida, dizia, para mim mesmo.
O tempo foi passando e um dia, seu olhar brilhante não entrou mais em nosso ninho. Eu não ouvi mais a sua voz cantante, encher com aquele som gostoso a nossa casa.
Tudo estava arrumado, na sala. Nem roupas jogadas na cama, Nem CDs sem capas e espalhados, Nem pontas de cigarro no tapete.
Tentei segurar o Sol, naquele dia. Eu não queria ver a noite chegar, porque uma coisa dentro de mim Insistia em dizer que era o seu adeus.
 Bobagem, pensava eu. Nossa criança nunca há de ir Mas você foi, menina. Para sempre de nossa casa e caminho.
Hoje, eu a vejo passando pela rua, Roupas diferentes das que eu comprava. O cigarro é da pior marca. O olhar não é mais brilhante. Seu corpo adquiriu outras formas. Apresso meus passos e grito seu nome, deixando cair lágrimas de saudade na camisa encharcada de suor.
 Você não responde.
 Lá na frente, um prédio escuro, e um quarto pequeno esperam por você.
 Paro, encostando-me no muro. Estou velho, sem forças para continuar. Só agora percebi que você não tem mais nome. O mundo te matriculou na escola da marginalidade, autorizado pelo meu desleixo, pela minha desatenção, quando mais precisavas de mim.
Perdão, minha filha.
POR: WILSON FRANCISCO
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