Experiências de quase-morte

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Nas experiências de quase-morte, temos a confirmação de algumas das crenças religiosas de muitas culturas; o experimentador descreve como atravessa um túnel até outro mundo, geralmente conduzido por uma figura espiritual conhecida em sua tradição ou por um parente morto (Moody, 1976; Sabom,

1982; Ring, 1980). A experiência de quase-morte também dá suporte direto à idéia da janela não local que se abre no momento da morte.

O psicólogo Kenneth Ring (1980) resumiu os diversos aspectos, geralmente cronológicos, da experiência de quase-morte. (Vejae também Rinpoche, 1993.)

  1. A maioria das EQMs começa com a sensação de um estado alterado de consciência. Uma sensação de paz permeia o ser, não há dor ou sensações corpóreas, não há medo.
  2. A maioria das  pessoas  que  têm  EQMs  se  vêem  fora  de  seus  corpos, olhando para eles, normalmente passando por uma cirurgia. Alguns têm a impressão   de   que   atravessam   a   parede.   Sentem-se   leves,   e   sua consciência permanece lúcida.
  3. Em seguida, vêem-se no limiar de outra realidade; tomam consciência do escuro. Passam por um túnel.
  4. Vêem luzes, primeiro a distância, depois à volta delas, uma luz que não ofusca, de grande intensidade, beleza e amor. Alguns vêem um ser de luz. Outros vêem uma figura espiritual, como Cristo. Outros vêem parentes.
  5. Muitas pessoas têm experiências de revisão da vida — suas vidas inteiras são exibidas e seus papéis, bons ou maus, são julgados por elas mesmas.
  6. 6. Várias contemplam ambientes celestiais de grande beleza, e sentem-se em unidade com todas as coisas e Algumas se vêem em ambientes infernais.
  7. Agora, dizem-lhes para regressar. Sua experiência na Terra ainda não está completa.

A abertura da janela não local na EQM é notável. As pessoas que passam por elas (como vítimas de acidentes) vêem de cima seus corpos sendo operados e costumam relatar detalhes extraordinários (Sabom, 1982). É evidente que não há sinais locais para transmitir a informação. De que outro modo se pode explicar essa transferência de informação, exceto a observação quântica não local em conjunto com a observação de outra pessoa, como a do cirurgião? (Goswami, 1993). Os dados mais recentes mostram que até os cegos podem “enxergar” dessa maneira; eles não se limitam pelo fato de sua visão não estar operacional (Ring e Cooper, 1995); eles devem estar enxergando telepaticamente (ou seja, de forma não local), em sincronicidade com a observação de outra pessoa.

Não é preciso ver uma contradição aqui, só porque quem passa por uma

EQM costuma ver seu corpo enquanto flutua pelo teto, e o ponto de vista do cirurgião (ou dos assistentes), embora seja de cima para baixo, não é exatamente o mesmo. A explicação é similar à da telepatia mental — enquanto o cirurgião olha para a mesa de operações e recebe a informação real, a consciência causa o colapso de uma realidade similar dentre as possibilidades quânticas disponíveis no cérebro do sujeito correlacionado, que tem a EQM. Logo, pequenas diferenças, como a perspectiva da observação, podem surgir com facilidade.

O fato de EQMs serem encontros com a consciência não local e seus arquétipos promana desses dados diretos. Uma nova dimensão da pesquisa sobre EQMs é que, quando se estuda a vida da pessoa após a experiência, percebe-se que a EQM levou-a a uma profunda transformação no seu modo de vida. Muitas delas não têm mais, por exemplo, o medo da morte que paira sobre a psique da maior parte da humanidade (Ring, 1992). E, de modo geral, os sobreviventes de EQMs conseguem viver uma vida dedicada ao amor e ao altruísmo, sugerindo uma transformação espiritual manifestada pelo insight obtido no encontro quase fatal com o eu-quântico.

Qual seria a explicação para as imagens específicas descritas por pessoas que passam pela experiência de quase-morte? Essas pessoas experimentam a redução da identidade com o corpo — o ego não fica ocupado, monitorando o corpo. Este é um estado bastante semelhante ao sono, próximo daquilo que psicólogos junguianos chamam de “grande” sonho.

Tal como no grande sonho, na EQM, a pessoa vê imagens arquetípicas, como Buda ou Cristo, mas de onde vêm essas imagens no grande sonho ou na EQM? Segundo os modelos neurofisiológicos (Hobson, 1990), creio que construímos as imagens com o Rorschach de ruído eletromagnético e aleatório que está sempre disponível no cérebro. Contudo, esse ruído é de natureza quântica; representa possibilidades quânticas e não é clássico e determinista como presumem   os   neurofisiologistas.   A   consciência   faz   com   que   padrões adequados entrem em colapso, gerando imagens significativas ao identificá- las.

O ponto  vital da  EQM é  o  afrouxamento,  quase  uma  libertação,  da identidade-ego, que permite aos sujeitos lembrar-se de imagens arquetípicas que  normalmente  não  são  lembradas. As  imagens  visualizadas  —  figuras espirituais, parentes — são claramente arquetípicas.

Essa forma de analisar a experiência de quase-morte também  deve encerrar a discussão a respeito de a luz — que é encontrada na EQM — ser apenas um fenômeno fisiológico ou algo mais profundo e importante. Em meu entender, ela é ambos. O que os materialistas não percebem é que as pessoas que têm experiências de quase-morte lidam com aquilo que está disponível fisiologicamente em seu cérebro, mas extraem novo sentido disso, assim como fazemos em uma experiência criativa na qual transformamos uma cena cotidiana em um novo insight. Em outras palavras, é a consciência, e não o cérebro, que organiza os eventos neurológicos em uma singular experiência espiritual.

Finalmente, muitos pacientes que passam por experiências de quase- morte relatam experiências de revisão da vida, nas quais suas vidas inteiras, ou pelo menos uma parte significativa delas, passa diante de seus olhos. (Para uma análise de tais referências, veja Greene e Krippner, 1990.) Isto é crucial para que nosso modelo funcione. Quando a pessoa agonizante tem a experiência de revisão da vida, o nascituro da encarnação seguinte compartilha a recordação. E esta se torna parte da memória reencarnatória da próxima encarnação.

Trecho do livro: A física da alma, de Amit Goswami. Leia o livro acessando a capa abaixo.

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