As nove vidas da alma

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Afinal, existe a alma? E existe a física da alma? Cada um decide. Vou resumir as idéias da física que levaram progressivamente a um modelo convincente e razoavelmente completo da alma. Só por diversão, vou usar a metáfora das nove vidas do gato, mas com uma variação. Quanto mais vidas o gato vive, mais perto chega de sua eventual morte. Aqui, é o contrário. Com a expansão da física, com o aperfeiçoamento do modelo da alma, a alma se aproxima da imortalidade. E, como bônus, maior o número de dados que podem ser acomodados no modelo.

  1. Na primeira vida, a alma é dualista, o que significa que ela é concebida como um mundo à parte feito de uma substância não material, e a física é usada para negá-la.

A alma dualista é distinta da matéria e do corpo material, e sobrevive à morte do corpo material.

A alma dualista é individual e também separada de Deus (que pode ser imaginado como alma mundial, ou sobre-alma, paramatman, em sânscrito), mas é eterna como Deus. Essa alma morre, em virtude de críticas baseadas na física. E surgem questões do tipo: “como é que a alma não material interage com o corpo material sem um mediador?” ou “como podemos explicar o princípio de conservação da energia, que apenas a energia do mundo material seja conservada?” E mais: “uma alma que interagisse com o mundo material não consumiria ou daria energia para esse mundo material?” Outro espinho a atormentar esse modelo é este: “se as almas são eternas e o número de almas se conserva, então, como podemos explicar a atual explosão populacional, ou seja, de onde vêm essas novas almas?”

  1. No segundo modelo da alma, esta é material e natimorta; ela não sobrevive, ou seja, ela é um epifenômeno do corpo material e morre com ele. Contudo, podemos nos consolar com o fato de que, embora o epifenômeno, a alma individual, morra, a essência básica — a matéria na forma de átomos e partículas elementares — vive e é reciclada. Aqui, a física é conservadora e não controvertida, mas de nada vale para explicar dados de sobrevivência e reencarnação.
  2. Na terceira encarnação, a alma é idêntica à consciência, a primeira e única, que é a base da existência. A matéria é uma manifestação aparente sobre essa base, e é um epifenômeno dessa base. Logo, a matéria é efêmera, passando a uma aparente existência quando é registrada na experiência de um ser senciente, dissolvendo-se depois no todo. O corpo material perece, mas a alma vive eternamente.

Nesta vida, a alma individual morre porque nunca existe; a alma é sempre cósmica e não tem atributos. A física da alma começa aqui e consiste na física quântica em sua interpretação idealista — a idéia de que a consciência não local e unitiva cria a realidade a partir das possibilidades quânticas da matéria.

  1. Na quarta encarnação, postula-se a ideia de que a alma cósmica tem um atributo, e este atributo é reconhecido como um corpo de temas. Todos que pertencem
    à espécie humana têm de aprender esses temas – esse é o propósito de nossas vidas. Naturalmente, levamos muitas encarnações para descobri-los criativamente e aprender a vivenciá- los, pois alguns desses temas, como o amor, por exemplo, são muito sutis. Nossas diversas encarnações se correlacionam por meio da não-localidade através do espaço e do tempo, e se conectam pelo corpo temático como um fio une as flores de uma guirlanda.

É por isso que o corpo temático pode ser identificado por meio daquilo a que chamamos sutratman (sutra significa fio, e atman significa alma, em sânscrito). Mas a física da alma ainda é inadequada; a alma individual não existe, o que sobrevive à morte do corpo físico é o corpo temático, que é uma mônada universal para toda a espécie humana. A parte interessante do modelo é que ele explica parte dos dados importantes da reencarnação, especialmente a recordação de vidas passadas em crianças.

  1. Na quinta vida da alma, propõe-se que a alma cósmica tenha atributos adicionais, uma mente para o processamento de significados e um corpo vital para os modelos por trás das formas que se manifestam na evolução da vida. Agora, podemos ver que o corpo temático estabelece o contexto do movimento, tanto para o corpo mental como para o vital (e para o físico). Em seu papel de orientador do contexto do significado, agora ele pode ser reconhecido como aquilo que chamamos de intelecto (supramental) – a facilidade da criatividade, do amor incondicional, da discriminação moral etc.

O trio de corpos (intelecto supramental, mental e vital) que, juntos, hoje formam a alma ou mônada, são não físicos, mas, por causa de sua natureza quântica (que também é a natureza do corpo físico), a consciência faz a mediação de sua interação com o corpo físico. Todos os quatro corpos são possibilidades quânticas da consciência. Para sua experiência manifestada, a consciência causa o colapso de possibilidades correlacionadas desses corpos, criando eventos reais do (aparente) fenômeno da cisão sujeito-objeto.

É claro que a física da alma vigora nessa encarnação, mas a alma, vista como mônada quântica, ainda não está madura; ela ainda não tem o poder de explicar a alma individual.

  1. Na sexta encarnação da alma, a física da alma amadurece. Com a aceitação da dinâmica da mente e do corpo vital, podemos ver que ocorre a individualização da alma ou mônada. Embora os corpos de intelecto supramental, mental e vital também sejam universais (sem estrutura individual) e todos nós possamos usá-los, a universalidade fica comprometida em função do acúmulo da experiência.

Enquanto as experiências são vivenciadas, as probabilidades das possibilidades quânticas mental e vital se modificam; desenvolvem uma propensão para respostas passadas a estímulos, pro cesso que os psicólogos chamam de condicionamento. Chamo-o de memória quântica, pois a memória dessa propensão não está contida no objeto, como na memória comum; a memória está contida na matemática quântica a que as possibilidades modificadas obedecem.

Como resultado do condicionamento ou memória quântica, todos nós desenvolvemos uma mente individual (funcional) e um corpo vital. Assim, quando o corpo físico morre, nossa história, registrada no corpo físico (especialmente no cérebro), morre com ela, mas nosso padrão de hábitos ou propensões sobrevive na forma de memória quântica das ondas de possibilidade, modificadas pela probabilidade da mônada quântica individual.

Finalmente, a mônada quântica torna-se um modelo bem- sucedido da alma que sobrevive e reencarna. Quando a física da mônada quântica se integra à física da não-localidade quântica entre encarnações correlacionadas, produzindo um modelo da alma mais completo, muitos tipos de dados relativos à sobrevivência após a morte e à reencarnação podem ser explicados, entre os quais as experiências de quase-morte, o fenômeno das crianças prodígios, fobias não explicadas e canalização. Tudo isso é bom. Entretanto, agora a alma está solidamente estabelecida na roda do carma (propensões adquiridas em vidas passadas), repetição de encarnações sem um fim à vista. A física da alma ainda é inadequada para explicar a evolução da alma rumo à libertação.

  1. Na sétima vida da alma, a física da alma identifica uma lei do carma com base em dados empíricos: que só levamos algumas das propensões do passado para atuarem em uma determinada vida. São as propensões (prarabdha) que nos permitiriam satisfazer a agenda de aprendizado específica de certa encarnação, o que contribuiria para a evolução da alma rumo à libertação.

A física da alma, acrescentamos, então, a arte de recordar nosso prarabdha, uma arte que, no hinduísmo, se chama dharma. Agora, praticamos ativamente para lembrar as propensões que levamos para essa dada encarnação, a fim de cumprir a agenda de aprendizado, o dharma, desta vida em particular. Quando aprendemos as coisas conforme nosso propósito, nossa vida se torna particularmente alegre. Doravante, ela — a vida — se impregna de significado, à medida que cumprimos nossa agenda de aprendizado. Adeptos da física materialista reclamam que, “quanto mais compreendo o universo, mais ele parece sem propósito”. Ve- jam só! Em comparação, a física da alma recupera o significado perdido.

  1. Na oitava vida da alma, esta cumpre suas responsabilidades monádicas de descobertas criativas, de acordo com sua física, e se liberta da roda do carma. A alma não evolui mais e, nesse ponto, atingiu o primeiro tipo de imortalidade como anjo ou espírito-guia, a fim de ajudar outras almas que se esforçam para conquistar a libertação.
  • Na nona encarnação da alma, uma encarnação especulativa que vai além da física atual, o objetivo da alma é sua tentativa criativa de assumir um corpo físico imortal (ressurreição). Novos desenvolvimentos da física da alma nos dirão se isso envolverá um novo tipo de matéria que possa fazer representações do intelecto supramental ou um novo desenvolvimento do cérebro que possa fazer a mesma coisa.

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    Trecho do livro: A física da alma, de Amit Goswami. Leia o livro acessando a capa abaixo.

     

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