A missão maravilhosa de Napoleon Hill

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Por mais de um quarto de século, meu principal objetivo foi o de separar e organizar, em uma filosofia de realizações, as principais causas tanto do fracasso como do sucesso, com o objetivo de ser útil a todos os outros que não têm nem a inclinação nem a oportunidade de se engajar nesse tipo de pesquisa.

Meu trabalho começou em 1908, como resultado de uma entrevista que fiz com Andrew Carnegie. Eu, francamente, contei ao senhor Carnegie que eu tinha concebido a ideia de entrar para a faculdade de Direito e que eu havia pensado em pagá-la entrevistando homens e mulheres bem-sucedidos, descobrindo como eles conseguiam sucesso e descrevendo as minhas descobertas para revistas. No final de minha visita, o senhor Carnegie me perguntou se eu tinha ou não coragem para realizar algo que ele estava para me oferecer. Respondi que coragem era tudo o que eu tinha e que estava preparado para dar o meu melhor, independentemente da proposta que ele tinha a me oferecer.

Ele então disse:

“A sua ideia de escrever histórias sobre homens e mulheres bem- sucedidos é memorável enquanto ideia, e eu não tenho nenhuma intenção de tentar desencorajá-lo de cumprir o seu objetivo. Mas eu preciso lhe dizer que, se você realmente quer fazer um serviço que seja útil, não somente para as pessoas de hoje, mas também que dure para toda a posteridade, ocupe o seu tempo organizando, baseado nessas histórias, as causas do fracasso e do sucesso dessas pessoas. Há milhões de pessoas no mundo que não têm a menor concepção das causas do sucesso e do fracasso. As escolas e faculdades ensinam praticamente tudo, exceto os princípios de realização pessoal. Eles exigem que jovens, homens e mulheres, passem de quatro a oito anos adquirindo conhecimentos abstratos, mas não os ensinam o que fazer com esse conhecimento depois de tê-lo.

“O mundo está precisando de uma filosofia de realização prática e inteligível, organizada a partir de conhecimento resultante da experiência de homens e mulheres da grande universidade da vida. Em todo o campo da filosofia, eu não encontro nada que se assemelhe ao tipo de filosofia que tenho em mente. Nós temos muito poucos filósofos que são capazes de ensinar a homens e mulheres a arte de viver. Parece, para mim, que há uma oportunidade que deveria desafiar um jovem ambicioso do seu tipo, mas ambição pura não basta para essa tarefa que eu sugeri. Aquele que ousar seguir minha sugestão deverá ter coragem e tenacidade.

“O trabalho demandará pelo menos vinte anos de esforço contínuo, durante o qual aquele que topar terá que ganhar a vida com outra fonte de renda, porque esse tipo de pesquisa nunca é lucrativo no seu início, e geralmente os poucos que se aventuraram a contribuir para a civilização através de trabalhos dessa natureza tiveram que esperar cem anos ou mais após seus próprios funerais para receber reconhecimento pelo seu feito. Se você prosseguir com esse trabalho, deve entrevistar não somente os poucos que foram extraordinariamente bem-sucedidos, mas também os muitos que fracassaram. Você deve cuidadosamente analisar milhares de pessoas que foram classificadas de ‘fracassadas’ – e eu quero dizer com o termo ‘fracassado’ homens e mulheres que chegam aos estágios finais de suas vidas desapontados porque não conseguiram alcançar as metas que haviam se proposto de coração. Tão inconsistente como parece ser, você aprenderá muito mais como ser bem-sucedido a partir dos fracassos do que com o tão chamado ‘sucesso’. Eles lhe ensinarão o que não fazer.

“Na parte final da sua pesquisa, se você conseguir com sucesso manter o foco, fará uma descoberta que poderá ser uma grande surpresa. Descobrirá que a causa para o sucesso não é algo separado e longe do homem, mas que é uma força tão intangível na natureza, que a maioria dos homens nunca a reconhece; uma força que pode muito bem ser chamada de ‘Outro Eu’. O mais interessante é o fato de que este ‘outro eu’ raramente exerce sua influência ou se faz conhecer, exceto em momentos de emergência, quando os homens são forçados, por meio das adversidades e das derrotas temporárias, a mudar seus hábitos e pensar estratégias para sair das dificuldades.

Minha experiência me ensinou que um homem nunca está tão perto do sucesso como quando o que ele chama de ‘fracasso’ toma conta de sua vida, porque nessas ocasiões ele é forçado a pensar. Se ele pensar com exatidão e com persistência, vai descobrir que aquilo que ele chama de fracasso, na verdade, nada mais é que um sinal para elaborar um novo plano ou objetivo. A maior parte dos fracassos reais se deve a limitações que os homens impõem a si mesmos em suas próprias mentes. Se eles tivessem a coragem de ir mais um passo à frente, eles descobririam os seus próprios erros.”

O discurso do senhor Carnegie reformulou a minha vida por completo e plantou em minha mente um desejo ardente, que me orientou sem cessar. Isso aconteceu mesmo eu não tendo a mais vaga ideia do que significava o termo o “Outro Eu”.

Durante o meu trabalho de pesquisa nas causas de fracasso e sucesso, tive o privilégio de analisar mais de 25 mil homens e mulheres que eram rotulados de “derrotados”, e mais de 500 que eram classificados de “bem- sucedidos”. Muitos anos atrás, tive meu primeiro contato com aquele “Outro Eu” que o senhor Carnegie havia mencionado. A descoberta veio como ele disse que viria: como resultado de d ois pontos cruciais da minha vida, mas que foram, na verdade, emergências e que me forçaram a pensar um jeito de vencer as minhas dificuldades de tal maneira que eu nunca havia experimentado.

Gostaria que fosse possível descrever essa descoberta sem o uso do pronome pessoal “eu”, mas isso é impossível, visto que ela ocorreu através de experiências pessoais que não podem ser separadas. Para dar uma visão completa da descoberta, terei que voltar ao primeiro desses dois pontos marcantes da minha vida e mostrar, passo a passo, essa descoberta.

Para realizar a pesquisa, com a compilação de dados, foram necessários anos de trabalho. Eu tinha chegado à falsa conclusão de que minha tarefa de organizar uma filosofia completa de sucesso pessoal havia terminado. Longe de estar completo, meu trabalho havia apenas começado. Eu havia erigido o esqueleto de uma filosofia, organizando os dezessete princípios do sucesso e as trinta maiores causas do fracasso, mas aquele esqueleto tinha que ser coberto com a carne da realização e da experiência. Além disso, tinha que ser dada ao trabalho uma alma que inspirasse homens e mulheres a não somente transporem obstáculos, mas também a não se deixarem abater por eles.

A “alma”, que ainda teria que ser adicionada, como eu descobri depois, somente se tornaria disponível após aparecer o meu “outro eu”, através dos dois pontos cruciais da minha vida. Resolvendo focar a minha atenção e quaisquer talentos que eu por ventura tivesse em retornos monetários através de canais de negócios, decidi dedicar-me à profissão de publicitário. Tornei- me, então, o gerente de publicidade do curso de extensão La Salle da Universidade de Chicago. Tudo correu maravilhosamente bem durante um ano. Entretanto, no final desse ano, fui tomado por um violento desgosto pelo meu trabalho e, então, me demiti.

Posteriormente, ingressei no ramo de cadeias de lojas, juntamente com o ex-presidente da Universidade de Extensão La Salle. Logo me tornei presidente da Cia. de Doces Betsy Ross. Porém desacordos com os sócios desse negócio fizeram com que eu saísse do empreendimento. A atração pela propaganda ainda estava em meu sangue, e tentei novamente dar expressão a ela. Organizei uma escola de propaganda e vendas, como uma parte da Escola de Negócios Bryant & Stratton.

O empreendimento navegava em águas tranquilas e muito dinheiro entrava rapidamente. Foi então que os Estados Unidos tomaram parte da Primeira Guerra Mundial. Em resposta a um chamado interior, que palavras não conseguem descrever, saí da Escola e entrei para o serviço do governo dos Estados Unidos, sob a direção pessoal do presidente Woodrow Wilson, deixando um negócio fantástico desintegrar-se.

No dia do armistício, em 1918, comecei a atuar na publicação da revista Golden Rule (Regra de Ouro, na tradução livre). Apesar do fato de eu não ter nenhum centavo de capital, a revista cresceu rapidamente e em pouco tempo ganhou circulação nacional, chegando a quase meio milhão de exemplares, finalizando seu primeiro ano de negócios com um lucro de 3,156 mil dólares. Alguns anos depois, aprendi com um experiente executivo de uma empresa de publicações que nenhum homem capaz naquele ramo pensaria em começar uma revista tal como esta com menos do que 500 mil dólares de capital.

A revista Golden Rule e eu estávamos destinados a nos separar. Quanto mais sucesso alcançávamos, mais descontente eu me tornava. Até que, finalmente, devido a um acúmulo de perturbações causadas por sócios no negócio, dei a revista como um presente a eles e deixei o negócio. Com essa atitude, provavelmente joguei fora uma pequena fortuna.

Logo após, organizei uma Escola de Treinamento para vendedores. Minha primeira missão era treinar um exército de vendas de 3 mil pessoas para uma rede de lojas. Receberia 10 dólares para cada vendedor que frequentasse a minha aula. Dentro de seis meses, esse trabalho havia me rendido um pouco mais de 30 mil dólares. O Sucesso, em termos financeiros, estava coroando meus esforços com abundância. Novamente meu espírito estava descontente. Eu não estava feliz. Tornava-se, a cada dia, mais óbvio que nenhuma quantidade de dinheiro, em algum momento, me faria feliz.

Sem a menor desculpa razoável por minhas ações, saí do negócio e desisti de um empreendimento no qual teria facilmente recebido um salário satisfatório. Meus amigos e sócios no negócio pensaram que eu estava louco, e eles não estavam tão errados nos seus pensamentos. No fundo, eu estava inclinado a concordar com eles, mas parecia que não havia nada que eu pudesse fazer para mudar de ideia. Procurava pela felicidade e ainda não a tinha encontrado. Pelo menos, essa é a única explicação que eu poderia oferecer para justificar as minhas atitudes um tanto quanto inusitadas. Qual o homem que realmente conhece a si mesmo?

Isso aconteceu no final do outono de 1923. Eu me sentia solitário em Columbus, Ohio, sem recursos e, pior ainda, sem nenhum plano para me tirar daquela situação difícil. Na verdade, era a primeira vez na vida que eu estava acuado devido à falta de recursos. Em muitas ocasiões, já havia passado por momentos de aperto, mas nunca antes havia faltado dinheiro a tal ponto de eu não conseguir suprir as minhas necessidades pessoais. A experiência me assombrou: eu parecia estar totalmente à margem do que poderia ou deveria fazer.

Pensei em uma dúzia de jeitos de conseguir resolver os meus problemas, mas descartei-os todos: eram impraticáveis e impossíveis de realizar. Me senti como alguém que estava perdido em uma selva, sem uma bússola sequer. Toda tentativa que eu fazia para me tirar da dificuldade acabava me trazendo de volta para o ponto de partida.

Por quase dois meses, sofri com a pior das doenças humanas: a indecisão.

Eu conhecia os dezessete princípios da realização pessoal, mas não sabia como aplicá-los. Sem saber, estava encarando uma daquelas emergências da vida de que o senhor Carnegie havia me falado, situações essas em que os homens muitas vezes descobrem os seus “Outros Eus”. Meu estresse era tão grande que em nenhum momento me ocorreu sentar, analisar a sua causa e procurar a sua cura.

Uma tarde, tomei uma decisão que me ajudou a sair daquela situação. Eu tinha um sentimento de que o que eu realmente desejava era sair para os “espaços abertos do país”, onde poderia respirar ar fresco e, principalmente, pensar.

Comecei a caminhar e já havia percorrido mais ou menos sete ou oito milhas quando, de repente, me vi parado. Por muitos minutos, fiquei ali como se estivesse com os pés colados. Tudo na minha volta tornou-se escuro. Eu podia ouvir o som estridente de alguma forma de energia que estava vibrando a uma frequência muito alta.

Então meus nervos aquietaram-se, meus músculos relaxaram e uma grande calma tomou conta de mim. A atmosfera começou a clarear e, enquanto isso ocorria, recebi um comando de meu interior, que veio na forma de um pensamento, tão perto quanto eu posso descrevê-lo.

O comando era tão claro e distinto, que não havia meios de eu não entendê-lo. Na essência, ele disse: “Chegou o momento de você completar a filosofia de sucesso que você começou, seguindo a sugestão de Carnegie. Volte para casa de uma vez por todas e comece a transferir os dados que você juntou da sua própria mente, transformando-os em manuscritos”. O meu “Outro Eu” havia acordado.

Por alguns minutos, permaneci aterrorizado. Essa experiência não era parecida com nada que eu houvesse experimentado antes. Eu virei e caminhei rapidamente até chegar em casa. Quando me aproximei de casa, vi meus três filhos olhando pela janela para as crianças do vizinho, que estavam decorando uma árvore de Natal. Então, me lembrei que era véspera de Natal. Para completar, me dei conta, com um sentimento de pura tristeza, tal qual eu jamais havia experimentado, de que não haveria árvore de Natal na nossa casa. O olhar de desapontamento no rosto das minhas crianças me fez lembrar desse fato com muita dor.

Entrei em casa, sentei em frente à minha máquina de escrever e comecei de uma vez por todas a transcrever todas as descobertas que eu havia feito, relacionadas às causas de sucesso e fracasso. No instante em que coloquei a primeira folha de papel na máquina, fui interrompido pelo mesmo sentimento estranho que havia me ocorrido algumas horas antes. E este pensamento passou de forma muito clara na minha mente.

“Sua missão nesta vida é completar a primeira filosofia de sucesso e realização pessoal. Você tem tentado em vão escapar da sua tarefa, cada esforço trazendo fracasso para você. Você está procurando pela felicidade. Aprenda esta lição, de uma vez por todas: você somente achará a alegria ajudando outros a encontrá-la. Você tem sido um estudante teimoso. Você tinha que ser curado da sua teimosia através de desapontamentos sucessivos. Dentro de poucos anos, o mundo todo começará uma experiência na qual milhões de pessoas que necessitam desta filosofia terão acesso a ela, justamente devido a este direcionamento que você recebeu para completá- la. A sua grande oportunidade de achar a felicidade prestando um serviço útil terá chegado. Vá trabalhar e não pare até que você tenha completado e publicado os manuscritos que você começou.”

Eu estava consciente de ter chegado ao final do arco-íris da vida e estava feliz!

Trecho do maravilhoso livro Mais esperto que o diabo, de Napoleon Hill. Saiba mais sobre o livro clicando na capa a seguir

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