A América Latina: Trabalho Escolar

Ao longo da história, a América Latina tem sido constantemente explorada, devido seus aspectos geológicos e climáticos, que são a causa de uma grande riqueza mineral e biodiversidade, fatores que levaram à colonizações europeias e à posteriores intervenções externas, que visavam manter certos países da América Latina como exportadores de gêneros primários.

Problemas socioeconômicos são a principal consequência da ganância externa. Diversas tentativas de ascensão foram boicotadas pelos países desenvolvidos, inclusive durante a Guerra Fria. A principal causa dessa repressão foi o medo dos países capitalistas de que houvesse uma grande dispersão dos ideais socialistas na América, principalmente após a Revolução Cubana. Problemáticas externas a América Latina que ocorreram durante esta mesma época, também a infringiram de forma grave, levando a chamada “Década Perdida”.

A história justifica a sociedade, a economia e o “desenvolvimento” da América Latina atual, que foi, e é, rica em todo tipo de recursos naturais, mas que tem uma sociedade gerada por sucessivos erros sociais. A intervenção estrangeira é a principal causa do subdesenvolvimento já que qualquer tentativa de ascensão foi sufocada no passado.

A América Latina tem em seu território todos os tipos de estruturas geológicas. Os escudos cristalinos, datados da era Pré-Cambriana, as Bacias Sedimentares, da era Paleozóica, e os Dobramentos Modernos, de formação recente. A América do Sul tem em sua formação, de acordo com a “Teoria dos Supercontinentes da Nova Tectônica”, quatro fissões e quatro fusões principais, sendo a última a fissão da Pangea¹ e a fusão Permo-Triássica. A primeira fusão ocorreu na era Paleoproterozóica (Pré-Cambriana), tendo início no Arqueano. Os terrenos e núcleos arqueanos se mostram como crátons² plenos, sendo parcialmente recobertos/envoltos por outras estruturas durante as próximas eras geológicas, ou tendo seus movimentos retomados nas eras subsequentes. A primeira fissão, chamada de Tafrogênese Estateriana, ocorreu durante o Mesoproterozóico, ainda na era Pré-Cambriana. Os processos de fissão aconteceram por tafrogênese, que é definida por extensão crustal e eventos conexos de manto ativado ou de litosfera ativada, com plutonismo anorogênico, máfico, granítico e reorganização epirogenética. Os processos rupturais foram uma resposta à aglutinação de uma massa supercontinental, que podem ter resultado na formação de bacias oceânicas segundo o Ciclo de Wilson¹.

A segunda fusão, conhecida como A Colagem do Mesoproterozóico Superior, constituiu-se basicamente de movimentos orogenéticos que levaram a uma fusão continental. A segunda fase de fissão, chamada de Tafrogênese Toniana, sucedeu a colagem do mesoproterozóico. Há indicações de que os processos de quebra (rift) e dispersão (drift) nesta época ocorreram sob condições glaciais, ou semi-glaciais e foram generalizados, semelhantes aos que aconteceram posteriormente na Pangea. Em seguida, ocorre a Colagem Brasiliano/Pan Africana, que caracterizou o final dos processos de orogenia na era neoproterozóica sobre as bacias, o que resultou na fusão com blocos litosféricos, separando as bacias sedimentares e servindo de base para elas. Isso resultou na formação continental de Gondwana. Na fase da terceira fissão, a Tafrogênese Neopaleozóica, onde ocorreram processos extensionais que levaram a formação do Oceano Iapetus, e tornaram Gondwana um supercontinente separado, que começou um completo Ciclo de Wilson que foi concluído com as orogenias Apalachianas, Taconianas e Farmatinianas do Paleozóico inferior.

A quarta e última fusão foi a Colagem Permo-Triássica, que se resume no movimento gradativo das massas continentais no Paleozóico, que fecharam alguns oceanos interiores formados na terceira fissão, como o oceano de Iapetus, citado anteriormente. Ao mesmo tempo, essas massas continentais começaram a formar margens orogênicas, que sofriam com o efeito de subducção de outras massas continentais maiores, como Gondwana. Além disso, outras estruturas litológicas foram gradativamente acopladas à margem ocidental de Gondwana, e, ao mesmo tempo, bacias sedimentares oceânicas e continentais, estavam sendo interpostas, gerando uma complexa acresção e microcolisões à estrutura. A Fissão da Pangea, foi a quarta e última grande fissão até os dias atuais.Ela foi causada por diversos fatores, entre eles o crescimento gradativo dos oceanos Atlântico e Índico, a renovação dos processos de subducção na margem do Pacífico (que havia se iniciado na Colagem Permo-Triássica) e a oeste, e os eventos de desarticulação (rift e drift) a leste, todos estes sendo os prováveis responsáveis por haver tantos registros tectônicos e vulcano-sedimentares no interior do continente. Ao final da fissão da Pangea é que se deu a configuração mais próxima ao continental atual, com pequenas variações causadas pelos movimentos das placas atuais e pela atividade vulcânica elevada em certas regiões do mundo.

O clima na América Latina, derivado de sua posição geográfica e, em menor escala, de fatores regionais, é em sua maioria quente e úmido, por estarem acima do trópico de capricórnio, enquanto que abaixo dele, o clima é temperado, apresentando estações bem definidas. Os fatores climáticos são determinados pelas correntes marítimas, no caso da América Latina, pelas correntes: equatorial do norte, que atinge Cuba e o Golfo do México;

Corrente equatorial do sul, que corre de leste para oeste, passando pelo litoral do Nordeste brasileiro, e então bifurca-se em duas, que são a Corrente das Guianas, que toma rumo norte e a Corrente do Brasil, que vai até o litoral da Argentina;

Corrente Fris das Falkland, que costeia o sul da Argentina e segue em direção à África;

Corrente de Humbolt, que costeia o norte da América do Sul, e é a causa do fenômeno El Niño.

O El Niño  é um fenômeno causado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico e pela redução dos ventos alísios na região equatorial, que servem pra resfriar a superfície do mar próximo ao litoral do Peru. A La Niña, fenômeno oposto ao El Niño, é causado devido a uma diminuição na temperatura das águas, causadas por um aumento da força dos ventos alísios. Ambos os eventos resultam em variações climáticas a níveis globais, já que interferem na dinâmica dos ventos, da úmidade e das correntes marítimas e acarretam em precipitações e secas anormais em diversas partes do globo, além de aumento ou queda de temperatura, também anormais.

Por possuir um clima predominantemente tropical, diferente da Europa, as nações do Velho Mundo viram no novo continente uma grande fonte de riquezas. Com as grandes navegações, que marcaram o início da Idade Moderna, os europeus se libertaram do estreito círculo em volta do Mar Mediterrâneo. O navegador Cristovão Colombo “descobre” novas terras: as Américas, habitadas por povos indígenas que foram praticamente exterminados.

A América foi a região que se tornou o verdadeiro objeto da colonização nos tempos modernos. O aproveitamento efetivo de todos os recursos e benefícios que as colônias podiam oferecer era fator primordial. A exploração colonial possibilitou a fixação do homem europeu nas regiões americanas, bem como a implantação de mecanismos eficientes para a proposta “civilizatória” da Igreja Católica, que estava aliada aos interesses da Coroa.

Com essa justificativa, a ajuda de uma força bélica mais avançada e tecnológica e doenças que os índios não tinham resistência, os europeus exterminaram, sem piedade, todo tipo de obstáculo entre eles e os minérios americanos. De acordo com Niall Ferguson:

“Em 1533, Atahualpa, último imperador inca, foi rendido pelos espanhóis, e em uma tentativa vã e estúpida de se libertar, o Imperador ordenou que enchessem sua cela com ouro e prata, para que os espanhóis pudessem voltar as suas terras. Mas as seis toneladas de ouro 22 quilates e doze toneladas de pura prata apenas fomentaram a perigosa ganância europeia.” (Civilização: Ocidente x Oriente, Planeta, 2012, pg. 132)

Os principais fatores que levaram à colonização das Américas estão ligados à profunda crise que abalou a Europa, a partir do século XIII. A falta de mercados, a grande fome, as epidemias e a grande exploração pela nobreza feudal fizeram desaparecer grande quantidade de camponeses, e como consequência houve o retraimento do comércio. Então, a colonização passa a ser vista como uma promissora chance de recuperação de uma Europa em crise política, econômica, social e religiosa.

Mas a Europa não era a única a demonstrar interesse na América Latina. Desde os tempos em que era colonizada pela Espanha, os territórios do Caribe, principalmente a pequena ilha de Cuba, com 110.861 km², era um território de grande interesse para os EUA, pois este queria acabar com os interesses europeus e adquirir uma hegemonia completa sobre o continente americano. Tamanho era esse interesse que levou os americanos a ajudarem o pequeno povo insular, e também os outros povos do Novo Mundo, a se libertar da Europa. No caso de Cuba, em 1898.

Mas, ao aceitarem a ajuda dos norte-americanos, Cuba cometia um grande erro: em Um de Janeiro de 1899 os EUA tomavam definitivamente a possessão da ilha através de métodos militares. Justificados pelo motivo de impedir um novo ataque espanhol, seu primeiro ato na governança foi instalar a Emenda Platt, garantindo ao governo norte-americano livre intervenção política econômica e militar e extinguindo todas as Instituições do Movimento Libertador Cubano, contradizendo assim o princípio da liberdade com qual iludiram os cubanos e deram-nos esperanças durante suas lutas a favor da independência, começando assim o Período Neocolonial cubano.

Sob o domínio americano, o estilo de vida cubano ainda era igual ao colonial, baseado na exportação de açúcar. Os EUA colocavam rigorosas regulamentações na economia da ilha, o desemprego aumentava a cada ano, e junto a ele estava o alto índice de corrupção governamental, um grande uso de drogas e um significante incentivo à prostituição. A classe média ficava insatisfeita com a qualidade de vida que caía cada vez mais. E, demonstrando ainda mais sua força no país, os EUA fizeram de Cuba a famosa “American Gateway”, ou “Fuga Americana” em uma tradução literal, onde a ilha, com seu clima agradável e belas paisagens, se tornou o principal destino de férias para americanos de classe alta que desejavam fugir de suas exaustivas rotinas por algum tempo.

Para acabar com esse cenário, um grupo revolucionário de guerrilheiros, liderado principalmente por Fidel Castro e Ernesto Che Guevara, conduziram um movimento em prol da libertação de cuba do domínio dos EUA. Aos poucos, o grupo, de aproximadamente oitenta homens, foi dominando diversas cidades até que, em 1959, conseguem retirar os governantes pro-neocoloniais do poder e estabelecem um governo a favor das necessidades básicas do povo e controle total dos meios de produção do país (características, estas, socialistas).

Esses novos objetivos acabaram contrariando as vontades dos EUA, que respondeu a essa ofensiva suspendendo as importações do açúcar produzido em Cuba, o que gerou uma crise na pequena ilha. Para encerrar essa crise que poderia dar um fim ao novo governo e reascender o domínio americano nos cubanos, Fidel Castro acabou se aproximando da URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) para que pudesse dar sustentação ao novo regime instalado.

Vendo esse novo aliado de Cuba, os norte-americanos encerraram todas as relações com o país e passaram a agir através de sua Agência Central de Inteligência, a CIA (Central Intelligence Agency), recrutando cubanos anticastristas exilados, mercenários e herdeiros das empresas norte-americanas nacionalizadas para treina-los para uma futura invasão na ilha, de modo a fazer parecer uma revolta interna e não um ataque do país vizinho.

Em 17 de Abril de 1961, aproximadamente mil e trezentos soldados cubanos, armados e treinados, desembarcaram na Baía dos Porcos e, logo em seguida, um grande bombardeio atingiu o aeroporto civil local. Mas, para surpresa dos EUA, no dia 20 de Abril de 1961 os cubanos aliados aos Estados Unidos são derrotados graças à má execução do plano e Fidel acaba por descobrir a verdadeira origem dos ataques.

Nesse cenário, Cuba aprofunda suas dependências e ralações com a URSS, que a oferecia ajuda e diversos acordos vantajosos que passaram a sustentar a economia da ilha, que por fim declarou-se um Estado Socialista.

Depois da vergonha enfrentada graças ao fracasso na Invasão a Baía dos Porcos, os EUA param com suas ofensivas e dedicam-se apenas a coleta de informações. E durante o voo de um avião espião norte-americano sobre o território cubano, em 1962, foi coletado imagens (Anexo I) do que parecia ser a construção de uma base militar portadora de mísseis nucleares. Esse fato despertou ira no governo de John F. Kennedy, pois os EUA, em plena Guerra Fria, possuíam uma nação socialista, equipada com o tipo de arma mais destrutivo do planeta, a apenas cento e sessenta e cinco quilômetros de sua costa sul. (Anexo II)

Iniciava-se assim a Crise dos Mísseis. O presidente Kennedy imediatamente comunicou as instituições internacionais que consideravam o feito como um ato de guerra. Mas o Primeiro Ministro soviético Nikita Kruschev logo retrucou afirmando que tudo isso não passava de uma estratégia defensiva para com os mísseis americanos instalados na Turquia e para a proteção do povo cubano de uma nova invasão dos EUA.

Essas investidas levaram os norte-americanos a uma cena tão comum nos cinemas e na televisão: a rápida criação de abrigos antibombas subterrâneos, graças ao terror que atingiu toda a população mundial, pois as duas potências tinham poder bélico suficientemente grande para destruir toda a população do planeta, e o risco de uma guerra nuclear nunca tinha estado tão presente.

Após intensas reuniões e negociações, o governo norte-americano retira suas bases militares da Turquia e o governo soviético faz o mesmo em Cuba, e, em 1963, EUA, URSS e Grã-Bretanha assinam um tratado proibindo os testes nucleares na atmosfera, no alto-mar e no espaço.

Cuba e EUA, então, não realizam grandes relações até a década de 1990, quando a queda do Bloco Soviético faz com que Cuba seja obrigada a repensar em vários pontos de sua política.

Os outros países caribenhos, após sua independência das metrópoles europeias, ocasionada principalmente pelas Guerras Napoleônicas, também se viram sob o domínio dos interesses geopolíticos e econômicos da maior potência regional: os Estados Unidos, que desejava fazer no continente um grande “bloco econômico” que o teria como centro.

A América Central, então, se torna o primeiro passo para esse objetivo americano e vira uma grande fornecedora de commodities para as empresas norte-americanas, que transformaram a maior parte da região em seu “quintal de exploração”. Essa nova característica cria nos países uma grande dependência das multinacionais dos EUA, pois estas geraram empregos e meios de produção a população centro-americana, que virou grande criador de produtos primários para sua potência regional.

Mas, os pequenos estados da América Central não se contentavam com a péssima situação de seus países, que era praticamente de subsistência, e deram início a diversas revoluções.

Depois de ver o crescimento das revoltas em sua área de domínio, os EUA decidem agir preventivamente nos países vizinhos e inicia a famosa política do Big Stick (“Grande Porrete” em uma tradução literal), onde o presidente Theodore Roosevelt usa um provérbio de origem africana, “fale com suavidade, mas tenha a mão um grande porrete”, para descrever as novas relações entre os EUA e a América Central, que seriam extremamente repressivas. Os EUA não hesitariam em reorganizar sua política como bem entendessem e passam a intervir diretamente em sua economia. Os objetivos e pensamentos que se encontravam por traz dessa nova política podem ser facilmente vistos em um discurso dado por William Howard Taft, presidente dos Estados Unidos em 1912:

“Não está longe o dia em que três bandeiras de listras e estrelas marcarão em três lugares equidistantes a extensão de nosso território: uma no Pólo Norte, outra no Canal do Panamá e a terceira no Polo Sul. Todo o hemisfério será nosso, de fato, como já é nosso moralmente, em virtude de nossa superioridade racial (…) não exclui de modo algum uma ativa intervenção para assegurar a nossas mercadorias e a nossos capitalistas facilidades para as inversões lucrativas”.

E as ações norte-americanas a favor desta política podem ser vistas em um relato, de 1935, dado por Smedley D. Butler, um ex-comandante do exército dos EUA atuando na América Central:

“Passei 33 anos e quatro meses no serviço ativo, como membro da mais ágil força militar deste país: o Corpo de Infantaria da Marinha. Servi em todas as hierarquias, desde segundo-tenente até general-de-divisão. E durante todo este período, passei a maior parte do tempo em funções de pistoleiro de primeira classe para os Grandes Negócios, para Wall Street e para os banqueiros. Em uma palavra, fui um pistoleiro do capitalismo (…) Assim, por exemplo, em 1914 ajudei a fazer com que o México, e em especial Tampico, se tornasse uma presa fácil para os interesses petrolíferos norte-americanos. Ajudei a tornar Haiti e Cuba lugares decentes para a cobrança de juros por parte do National City Bank (…) Em 1909-12 ajudei a purificar a Nicarágua para a casa bancária internacional Brown Brothers. Em 1916, levei a luz à República Dominicana, em nome dos interesses açucareiros norte-americanos. E em 1903, ajudei a ‘pacificar’ Honduras em benefício das companhias frutíferas norte-americanas.”

Porém a política do Big Stick entrou em colapso junto com a Doutrina Liberal, em 1929, criando diversas oportunidades para que os países lancem ofensivas contra a política norte-americana, ofensivas estas que levam como exemplo a ascensão de Lázaro Cárdenas no México, dando início a um governo totalmente nacionalista.

Na 7ª Conferência Pan-americana, em 1933, foi aprovado um documento que afirmava que “nenhum país possui o direito de intervir nos assuntos internos ou externos de outro”. O documento, portanto, ia contra as vontades norte-americanas. Então, entre 1933 e 1934, os EUA se “retiraram” do Haiti e da Nicarágua e davam início a Política de Boa Vizinhança, visando diminuir a desconfiança dos latino-americanos em relação a “grande nação do norte”.

Mesmo com a política da Boa Vizinhança, os Estados Unidos permaneceu interferindo nos países da América Central, fazendo continuar revoltas em suas zonas de influência, como o Movimento Sandinista, que foi considerado a única experiência vitoriosa da Nicarágua, que ocorreu na década de 1960 e 1970, influenciado pela Revolução Cubana, e recebe esse nome em homenagem a um grande revolucionário de origem camponesa, Augusto Cesar Sandino, que buscava uma distribuição igualitária de terras para a população.

Para conseguir a saída das forças estadunidenses da Nicarágua, Sandino assina um contrato em que não usaria armas para este fim, pensando em preservar seu país. Porém, foi traído pela Dinastia Somoza, que havia se aliado aos Estados Unidos, e acabou matando o líder revolucionário.

Após a morte de Sandino, a Dinastia Somoza apoiada pelo governo norte-americano implantou uma ditadura. Nessa ditadura o grupo mais desfavorecido foram os burgueses, de modo que a medida que o poder dos Somozas aumentavam havia, também, um aumento da monopolização do estado e a diminuição de lucros dos burgueses.

Com isso, organizaram-se dois grupos políticos divergentes: a União Democrática de Libertação (UDEL) organizada por Chamorro Cardenal (um escritor do jornal La Presa defendia o lado burguês); e do outro estavam o lado conservador nicaraguense, o Movimento Democrático Nicaraguense (MDL). Novamente, o governo Somoza reagiu violentamente assassinando Chamorro.

Este fato teve tamanha repercussão no mundo e internamente, quando os partidos opostos à burguesia a Frente de Ampla Oposição (FAO) e a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) se uniram para derrubar os Somozas do poder. Porém, isso não ocorreu.

A FSNL foi formada após a morte de Augusto Cesar Sandino por Carlos Fonseca Amador, Carlos Borge e Silvio Mayorga. Por 18 anos este grupo sofreu com as derrotas contra o imperialismo e as forças do estado, até que começaram a ser apoiados pela população rural e urbana.

Em 19 de julho de 1979, os participantes da FSNL tomaram Managuá, capital do país, acabando com o governo ditatorial. Uma reunião com os principais membros da Frente Sandinista nomeou Daniel Ortega chefe de estado, que trouxeram melhoras no país como a luta pela alfabetização, a distribuição melhor de terras e de renda.

As estratégias geopolíticas dos EUA, então, mudam de foco e isso acaba até ajudando os países latino-americanos a se industrializar e crescer economicamente, impedindo assim um avanço socialista na região e criando uma dependência ainda maior da América Latina em relação aos EUA.

Na década de 1930, a Argentina então inicia seu processo de substituição de bens de consumo leve e expande para os setores alimentícios e têxtil, mantendo sempre sua produção baseada em um modo tradicional, onde são produzidos bens leves e dependem da importação de materiais de outras regiões.

No ano de 1946, Perón implanta o Plano Quinquenal, que tinha como finalidade acelerar a produção e incentivar a exploração de carvão mineral e de aço da região, essa manobra gera um grande aumento na quantidade de indústrias principalmente de siderúrgicas e metalúrgicas. Outros fatores que se iniciaram nesse período foram os confiscos fiscais e a severa proteção aduaneira.

Em 1950 o presidente Dutra assina um acordo com Perón, que se decide o uso do cruzeiro como moeda de transação entre os comércios feitos entre Brasil e Argentina, além do uso de embarcações nacionais entre o translado do produto importado ou exportado. Alguns dos produtos que mais eram comprados ou vendidos entre ambos, estão fios de cobre, algodão, além dos produtos com valor agregado como pneus, ferro-gusa e aço.

Em 1952, começa uma recessão, pois o produto argentino não se apresenta sozinho no mercado, acompanhado dos commodites da Austrália e Canadá, tornando mais difícil a venda de tais produtos e a Argentina acaba perdendo muito mercado, entrando em uma fase econômica bastante complicada, tentando amenizar a situação, a produção de cereais argentinos tem agora como foco o mercado interno.

Perón para fugir da crise, tenta uma reaproximação com os Estados Unidos, e com os vizinhos mais ricos (Chile e Brasil), para obter um financiamento. Outra manobra encontrada foi a tentativa de reatar com o Pacto ABC (Argentina, Brasil e Chile), porém o Brasil se encontrava em um momento de grande dificuldade com a Era Vargas e protela a decisão, isso seria de grande valia para a Argentina pois a mesma necessitava de grandes quantidades de energia, que seriam supridas pelo Brasil, já que passava por uma grande crescimento industrial devido ao Plano Quinquenal, além da necessidade energética, a Argentina precisa de matéria-prima para suas indústrias.

No México, o crescimento e o desenvolvimento industrial baseou-se em investimentos estatais e transnacionais, por causa de sua vasta oferta de recurso naturais, como em seu subsolo rico em minerais metálicos, em 1930 cria-se duas grandes empresas voltadas para o projeto de modernização mexicana, a Petróleo de México (PEMEX) e a Nacional financeira. Ambas trouxeram grande desenvolvimento para o México criando reservas na região do Golfo do México e novas tecnologias na área da petroquímica.

Como o governo mexicano era de característica protecionista, dava prioridades na multiplicação das taxas alfandegárias , atraindo diversas empresas transnacionais, além do  baixo custo da mão de obra e a grande variedade de mercado consumidor, todos esses fatores mudaram bastantes a geografia do México .

Já no Chile, mesmo após a independência, se apresentou como grande explorador das riquezas minerais, apresentando em seu território desde pequenos mineradores até grandes empresas europeias, esse fator gerou grande desenvolvimento na região, crescimento das atividades urbanas e crescimento da infraestrutura, ou seja, o Chile presenciou uma industrialização rápida e tardia.

Atualmente a grande interdependência entre as economias é o que sustenta a indústria e o giro do capital chileno.

A guerra dos EUA contra o socialismo rendeu uma verdadeira onda de golpes militares, que começaram pelo Paraguai, seguido pelo Brasil onde as Forças Armadas depuseram o governo de Joao Goulart em março de 1964. No caso de João Goulart, ele enfrentou diversos problemas durante seu mandato, problemas estes devido a suas propostas de reformas de base e sua tendência socialista, que terminaram levando ao golpe militar, devido a insatisfação popular e militar. Em questão de pouco tempo, os países vizinhos acabaram tendo o mesmo destino.

De modo geral, os regimes militares da América do Sul foram extremamente repressivos e violentos. Os governos do Brasil, Argentina, Chile, Paraguai, Uruguai e Bolívia chegaram a fazer um acordo de cooperação mutua: a chamada Operação Condor, que tinha como objetivo reprimir a resistência aos regimes ditatoriais implantados.

O Paraguai foi governado pelo general Alfredo Stroessner. Dez anos após o Golpe Militar ao governo Paraguaio, Joao Goulart é deposto no Brasil por uma junta militar que após implantar o primeiro ato inconstitucional, elege o general Alencar Castelo Branco para a Presidência.

A ditadura na Bolívia e no Uruguai se instaurou alguns anos depois. O Uruguai estava em crise econômica e, consequentemente, a violência política ser instalou no país. Já na Bolívia, a ditadura foi exercida pelo General Hugo Benzer Suarez.

No Equador o golpe militar derrubou o regime de Jose Maria Velasco Ibarra passando a utilizar a riqueza do petróleo e empréstimos estrangeiros para custear um programa de industrialização, reforma agrária e subsídios para consumidores urbanos.

No Chile, o golpe ocorreu após a eleição do presidente Allende, que foi o primeiro a ter orientação marxista no país. Seu governo bateu de frente com os interesses dos Estados Unidos e das oligarquias de seu país. Essa insatisfação instigou as forças armadas chilenas a prepararem um golpe de estado em agosto de 1973, liderados pelo vice-almirante José Merino e o general Gustavo Leigh. Ainda em agosto, o comandante geral das forças armadas, Carlos Prats, renunciou ao seu posto após manifestações de repúdio das esposas dos generais. Para o seu lugar, indicou o general Augusto Pinochet, por considerá-lo um militar leal e apolítico. Mas, com o desenrolar do golpe (iniciado pela marinha), o general que deveria reprimi-lo passou a tomar parte ativa, aderindo aos comandantes rebelados. Pinochet chefiou a junta militar que depôs Allende e anunciou-se novo presidente.

A figura de Augusto Pinochet era desconhecida para os 15 milhões de chilenos até a manhã de 11 de setembro de 1973, quando liderou o golpe. A justificativa desse, que foi um dos golpes de Estado mais sangrentos da América Latina, foi a de impedir a nacionalização dos bancos e das minas de cobre. O Chile deixava de ser a sociedade liberal que era desde 1930, para tornar-se palco de uma repressão criminosa, repleta de torturas e assassinatos. Cerca de trinta mil chilenos foram mortos e mais de cem mil foram presos sem julgamento. Quem se opunha à junta de Pinochet foi perseguido e eliminado, para tal, Pinochet se uniu a operação Condor, para eliminar a oposição mesmo em solo estrangeiro. “No Chile não há uma folha que se mova sem que eu saiba”, foi uma de suas declarações mais famosas, quando se confirmou na chefia da ditadura mais prolongada que o Chile enfrentou em sua história.

Ao mesmo tempo em que reprimiam todas as formas de oposição, os militares realizaram a recuperação econômica de seus países. Por exemplo, o chamado Milagre Econômico, que diz respeito à época de excepcional crescimento econômico ocorrido durante o Regime militar no Brasil, que chegou a quase 12%, baseado em investimentos externos e altos empréstimos do exterior. Esse avanço econômico ocorreu em simultâneo à alta repressão política, conhecida como “anos de chumbo”. Foi um período paradoxal da historia do Brasil, como diz Elio Gaspari:

“O milagre Brasileiro e os Anos de Chumbo foram simultâneos. Ambos reais, coexistiam, negando-se. Passados mais de trinta anos, continuam negando-se. Quem acha que houve um, não acredita (ou não gosta de admitir) que houve o outro.”( A Ditadura Escancarada, São Paulo, Cia da Letras, 2002)

A crise econômica dos Estados Unidos e da Europa, foi impulsionada pela crise de petróleo, que aconteceu em cincos fases, todas depois da Segunda Guerra Mundial provocada pelo embargo dos países membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) para os Estados Unidos e países da Europa, a crise de petróleo foi desencadeada num contexto de déficit de oferta. Os preços do barril de petróleo atingiram valores altíssimos, chegando a aumentar em até 400% em cinco meses, o que provocou uma prolongada recessão nos Estados Unidos e na Europa e desestabilizou a economia mundial. Em questão de tempo, a crise econômica assolou a América do Sul.

Com o objetivo de apaziguar os efeitos da Crise do Petróleo de 1973, o Brasil passou a investir em tecnologias que substituíssem o uso do combustível fóssil. Em 1975 foi criado o programa Proálcool, que visava aumentar a produção de Álcool, bem como veículos que pudessem ser abastecidos com ele para evitar um grande prejuízo em uma possível nova crise. O programa tinha como objetivo diminuir os custos de importação do Petróleo na época. Na 1ª fase do programa, foi dado ênfase na produção de álcool anidro, para misturar com a gasolina, diminuindo assim a quantidade de gasolina consumida. Ainda na 1ª fase, surgiram os carros movidos a álcool. Na 2ª fase, em 1980, ocorreu uma segunda crise do petróleo, alavancando assim o Proálcool, de forma que a produção no período (1980-1986) chegou a 12,3 bilhões de litros, superando a meta inicial em 15%. A partir de 1986, o programa entrou em declínio devido a recuperação da indústria petroquímica, do aumento no preço do açucar e da queda no preço do álcool. Até 1995 o Proálcool ficou estagnado, e a partir daí não recuperou-se até a introdução dos “Motores Flex” no Brasil, em 2003.

Além do Proálcool, o governo passou a investir na construção de mais hidrelétricas, para diminuir a dependência de termoelétricas que existia no país. As hidrelétricas produzem sua energia baseadas na queda criada por desníveis no curso dos rios. Este desnível pode ser criado artificialmente. A queda da água é dada por energia potencial cinética (do movimento), e passa por tubulações inclinadas, em altíssima velocidade e força, onde se encontram as turbinas, que são ligadas aos geradores elétricos, que transformam essa energia mecânica, em elétrica.  As hidrelétricas têm em torno de 95% de eficiência, mas seu investimento inicial e seu custo de manutenção são altos. A segunda maior hidrelétrica do mundo é a Usina Binacional de Itaipu (Anexo III), que pertence ao Brasil e ao Paraguai, com capacidade de geração de 12.600 Mega-Watts. Atualmente, as hidrelétricas são a maior fonte de energia do Brasil, mas não da América Latina. Muitos países Latino-Americanos utilizam as termoelétricas, que geram energia a partir do vapor gerado pela queima de combustíveis fósseis ou de biomassa. A presença de parques eólicos e solares ainda é pequena na América Latina. O Brasil, por exemplo, tem 36 usinas eólicas espalhadas pelo país, que juntas geram um total de 602.284 kW, um valor muito inferior ao gerado pela usina de Itaipu. Os parques solares tem presença ainda menor, sendo a maior usina solar de propriedade privada, com potencial de 1 MW. A energia nuclear está presente somente no Brasil, Argentina e México, sendo a da Argentina, a mais antiga (1974). Na Argentina, por exemplo, a energia nuclear corresponde a 6% da gerada no país, no Brasil é de 3% e no México de 5%. Todos os países têm planos de expansão da energia nuclear, e países como Colombia, Cuba, Chile, Equador, Peru, Uruguai e Venezuela mostram interesse pela tecnologia. Em números, o potencial elétrico de uma usina nuclear pode chegar a 1.405 MW, como é o esperado para Angra III.

A crise levou os países da América Latina a um período de Grande Depressão, conhecido como a década perdida, que é uma referência à estagnação econômica vivida pela América Latina durante a década de 1980, quando se verificou uma forte retratação da produção industrial e um menor crescimento de economia como um todo. Para a maioria dos países, a década de 80 é sinônima de crises econômicas, volatilidade de mercados, problemas de solvência externa e baixo crescimento do PIB ou no caso do Brasil houve inclusive queda do mesmo. No Brasil, a Década Perdida trouxe o final do ciclo de expansão vivido nos anos 70 (milagre econômico). Possui por características grande desemprego, estagnação da economia e índices de inflação extremamente elevados. Houve também, na década perdida, perda do poder de consumo da população, e aumento da dívida externa levando a um aumente no déficit fiscal. A queda na economia e a necessidade de pagamento das dividas externas contraídas durante o milagre econômico, fizeram com que neste período os investimentos em serviços públicos básicos não fossem prioridade. A recessão abalou as bases das ditaduras e contribuiu para enfraquecer os regimes militares na década de 1980.

Com toda essa história, é possível observar que desde o seu “descobrimento”, a América Latina vem buscando obter características que hoje podem ser chamadas de “desenvolvidas”, mas, devido a sua grande riqueza natural, sua busca, que muitas vezes teve grandes chances de sucesso, foi esmagada pela ganância dos países mais “ricos” que queriam o Novo Mundo subordinado a eles, para que assim suas economias industriais pudessem ter sustento. Resta, então, o tempo mostrar se esse sofrido, mas persistente povo conseguirá força para contornar todos esses desafios, internos e externos, e conseguir entrar na categoria de Países de Primeiro Mundo.

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