Academia do Aprendiz

Há Doze Anos Desenvolvendo Habilidades de Alta Performance

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Tag: Tom Coelho

Iniciativa, hesitação e acabativa

“Antes de iniciares a tarefa de mudar o mundo, dá três voltas na tua própria casa.” (Provérbio chinês)

A reclamação é uma prática arraigada em todas as organizações. Poderia ser um instrumento de busca do aperfeiçoamento contínuo, mediante a sinalização de aspectos ineficientes e a proposição de ações corretivas. Porém, apresenta-se como um mecanismo de defesa, de transferência de responsabilidades ou, mais ainda, de culpabilidades. Apontamos o dedo para outra pessoa ou departamento e, com isso, justificamos nossas próprias deficiências além de desviarmos as atenções para outro alvo.

Uma empresa é um organismo vivo, sinérgico, sistêmico, no qual um departamento depende dos demais, o trabalho de um colega tem impacto sobre o desempenho dos outros. É por isso Continue lendo...

Celebre sua vida

“A vida é muito curta para ser pequena.”  (Benjamin Disraeli)

Minha filha está completando seis anos de idade. Esta é uma das mais incontestáveis provas de que o tempo voa. Afinal, ainda me recordo dela como um bebê engatinhando, pronunciando suas primeiras palavras, comemorando seu primeiro aniversário.

Já notou como nossas vidas parecem seguir orientadas por um piloto-automático? Acordamos em horários regulares, tomamos um café da manhã parecido e seguimos para nossas atividades pelos mesmos caminhos, enfrentando o trânsito-nosso-de-cada-dia. Quer você seja um estudante, um atleta ou um profissional, no seu destino a rotina (do francês routine, o caminho muito frequentado) lhe aguarda: uma sequência de aulas para assistir, treinos extenuantes Continue lendo...

O desejado pergaminho

“Decepção não mata, ensina a viver.” (Provérbio)

Infância alegre e feliz à lembrança remete de brincadeiras que caíram em desuso. Jogos que não podiam ser individuais, mas apenas coletivos, e que por conta disso já nos ensinavam a magia do fazer em grupos, do construir equipes, do formar times.

Peripécias cultivadas com mãos arteiras e pés descalços; bolas, piões, pipas e bonecas; joelhos esfolados, galos na cabeça; frutas na copa das árvores, plantar bananeira. Tudo interrompido apenas pelo compromisso da lição de casa, ou “o dever”. Ditado e tabuada, nomes de rios e de presidentes. Feito isso, podia-se aproveitar mais um pouco do luar que iluminava as ruas e da brisa que as varria.

Anos depois, adolescência plena, os ditados viraram redação, e as tabuadas, equações. Continue lendo...

Síndrome de Deus

“Existe uma força vital curativa com a qual o médico tem de contar.
Afinal, não é o médico quem cura doenças: ele deve ser o seu intérprete.”
(Hipócrates)

Dediquei-me nas últimas semanas ao meu check-up anual. Mens sana in corpore sano. Decerto que não se trata de uma atividade lúdica nem tampouco prazerosa. Mas é agradável receber resultados de exames sentenciando que você está bem. Afinal, quem pode prescindir da saúde pública, paga um plano de assistência médica como quem compra um jazigo: espera postergar ao máximo o uso do benefício contratado.

A partir das diversas consultas efetuadas pude estabelecer um padrão de comportamento entre os profissionais que me atenderam que cunharei como “paradigmas médicos”.

O primeiro deles é de ordem educacional. Absolutamente Continue lendo...

A fragilidade da vida

“No fim dá certo.Se não deu, é porque não chegou ao fim.”(Fernando Sabino) Quase cinco anos após o falecimento de minha mãe, estou de volta a hospitais. Meu pai teve o que parecia ser um AVC (acidente vascular cerebral), pois sofreu uma hemiplegia – paralisação do lado esquerdo do corpo (braço e perna). Transportado por UTI móvel até um hospital em São Paulo, uma tomografia indicou algo pior. Não era um AVC, mas sim um edema oriundo de metástase de um câncer posteriormente identificado em seus pulmões. Para quem jamais fumou um cigarro sequer, foi uma grande surpresa. Sabe-se que 85% dos casos de câncer de pulmão acometem pessoas com histórico de tabagismo. Portanto, restam outros 15%, grupo no qual meu pai foi laureado. Mais intrigante ainda é que a doença não é recente. Embora não seja possível precisar seu início, pode-se depreender que vem se desenvolvendo há mais de dez anos! Isso me leva a rever drasticamente meu conceito sobre a funcionalidade dos check-ups convencionais. Acabo de descobrir que exames clínicos diversos e mesmo radiografias eventuais são insuficientes para sinalizar uma doença silenciosa e perversa como esta. Ao longo dos últimos 30 dias, temos vivido uma verdadeira maratona. Passamos por quatro hospitais, enfrentando uma burocracia invejável, digna do mais áureo período do militarismo em nosso país, para obter guias e autorizações. Todos os procedimentos são morosos e sua abreviação depende da insistência e do monitoramento permanente de nós, familiares, junto aos burocratas do sistema. A saúde, tal qual a educação, é um excelente negócio… Enquanto isso, assistir a meu pai, em seu cotidiano, leva-me a reconhecer a fragilidade e brevidade de nossas vidas. Do alto de seus 68 anos de idade, um homem ativo e falante tem limitações e inquietações patrocinadas pela doença que o aproximam de um recém-nascido, fazendo-o demandar auxílio para movimentar-se, alimentar-se, higienizar-se. Em paralelo, o tempo, que passa devagar num leito de hospital, convida à reflexão. Paciente e acompanhante são tomados por um senso de urgência e de valorização da vida. Lembranças que nos visitam a mente, memórias de pessoas e eventos, coisas que fizemos e deixamos de fazer. A sensibilidade floresce, de modo que basta ouvir a voz ou vislumbrar o semblante de quem se gosta para que as lágrimas inundem os olhos. Não é por acaso que quando abordo o conceito das Sete Vidas, principio falando sobre a saúde. Sem integridade física e mental, todo o mais carece de significado. Podemos sobreviver 50 dias sem comer, 100 horas sem beber água, 15 minutos sem respirar, mas nem um único segundo sem fé. A certeza de que faremos mais do que o possível, a segurança de que buscaremos todos os meios e recursos necessários, a esperança de que o bem vencerá o mal. E a confiança de que, no fim, tudo dará certo. * Tom Coelho é educador, conferencista e escritor com artigos publicados em 17 países. É autor de “Somos Maus Amantes – Reflexões sobre carreira, liderança e comportamento” (Flor de Liz, 2011), “Sete Vidas – Lições para construir seu equilíbrio pessoal e profissional” (Saraiva, 2008) e coautor de outras cinco obras. Contatos através do e-mail tomcoelho@tomcoelho.com.br. Visite: www.tomcoelho.com.br e www.setevidas.com.br

O engraxate

“Pela obra se conhece o autor.”
(Jean de La Fontaine)

Caminhando pelo saguão do aeroporto miro meus pés e descubro sapatos que parecem tristes e cansados de tão opacos e descuidados.

Dirijo-me até a engraxataria encontrando um ambiente pequeno e bem organizado. São quatro os profissionais ali posicionados diante de suas cadeiras revezando-se à espera dos clientes.

Assento-me e passo a observar um senhor bastante robusto, cabelos parcos e grisalhos, contando seguramente mais de cinquenta anos, a exercer seu ofício. Coloca-me calçadeiras para proteger as meias, toma nas mãos uma flanela, limpando cuidadosamente a superfície dos sapatos. Parece preparar-se para iniciar a confecção de uma grande obra de arte.

Meus pés repousam sobre a caixa, em verdade, seu cavalete. Tal qual um Continue lendo...

O coração da empresa

“Se fôssemos bons em tudo
não necessitaríamos trabalhar em equipe.”
(Gisela Kassoy)

É comum qualificarmos as empresas como “organismos vivos”. E, sob esta ótica, comparar seu funcionamento ao do corpo humano.

Nossa “máquina”, projetada e esculpida por Deus, apresenta uma série de funções intimamente relacionadas. Do sistema digestivo ao excretor, passando pelo respiratório e reprodutor, a saúde do corpo depende de um equilíbrio dinâmico orquestrado por um órgão fundamental: o coração. Quando ele para, o corpo padece e desfalece.

No mundo corporativo, acontece o mesmo. Os organogramas nos indicam a existência de uma série de departamentos. Assim, a área de Suprimentos adquire matéria-prima que será processada pela Produção, colocada no mercado pelo Marketing, Continue lendo...

O sabor do saber

“Se os textos lhes agradam, ótimo. Caso contrário, não continuem, pois a leitura obrigatória é uma coisa tão absurda quanto a felicidade obrigatória.” (Jorge Luis Borges)

Apagão de mão de obra, vagas de estágio que não conseguem ser preenchidas, desqualificação profissional. Tudo isso é reflexo da crise de nosso modelo educacional, indicando um abismo entre o que as escolas entregam e o que as empresas demandam. A academia está distante e desalinhada do mundo corporativo.

É indiscutível que devemos promover uma “cruzada pela educação”. Vender a ideia da educação para o Brasil, colocando-a como prioridade, ao lado da saúde e da ciência e tecnologia, nas discussões orçamentárias e de planejamento estratégico nacional. Criar o conceito de responsabilidade Continue lendo...

Geração sem-sem

“Bom senso é a capacidade de ver as coisas como são e fazê-las como devem ser feitas.” (Josh Billings)

É provável que você já tenha ouvido falar da “geração nem-nem”, denominação dada aos jovens que nem estudam, nem trabalham. Conheça agora a “geração sem-sem”. Ela não é formada exclusivamente por jovens, pois não está relacionada à idade, mas sim a novos hábitos oriundos da tecnologia. Trata-se de pessoas que utilizam celular e redes sociais sem limites, e não raro, sem noção das consequências.

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Ensinando a ousar

“O que quer que você seja capaz de fazer, ou imagina ser capaz, comece. Ousadia contém gênio, poder e magia.”
(Goethe)

A cada minuto de nossas vidas estamos sempre assumindo dois papéis: o de professor e o de aluno. Dependendo do momento, do tema e do interlocutor, colocamos um ou outro véu. E num diálogo realmente edificante, chegamos mesmo a utilizar ambos.

Porém, em regra, somos maus professores. Maus porque pregamos a mediocridade, inibimos a audácia, coibimos o risco, desestimulamos a galhardia. Ser medíocre é ser comum, mediano, modesto, despretensioso. Ser medíocre é estar seguro, ainda que não se esteja bem. Ser medíocre é fruto natural de nossa cultura ibérica e de nossa tradição católica.

Empregados sem empregos

Nossas escolas de ensino fundamental privilegiam Continue lendo...

O pior dos pecados

“A conduta é um espelho no qual todos exibem sua imagem.” (Goethe)

Um renomado palestrante é contratado para fazer uma apresentação em um evento de uma multinacional. Porém, apenas uma hora antes do início programado, ele ainda está no quarto do hotel. O motivo: em vez de um luxuoso veículo importado, enviaram “apenas” uma inaceitável van completamente equipada, inclusive com bancos de couro, para buscá-lo.

Os chamados “pecados capitais” acometem cada um de nós. Não são admiráveis, pois se assim o fossem, seriam chamados de “virtudes capitais”. Derivados do latim caput, nascem e são nutridos por nós, em nossas cabeças. Somos os líderes e chefes de nossos vícios e caprichos.

Gula, avareza, inveja, ira, luxúria, preguiça e soberba. A cada um dos pecados há Continue lendo...

O mundo dos contratos

“Tão grande é o defeito de confiar em todos,
como o de não confiar em ninguém.”
(Sêneca)

Recordo-me de um tempo, em minha tenra infância, em que me dirigia até um armazém na esquina de casa, a pedido de minha mãe, para buscar pão e leite. Não necessitava levar dinheiro ou um bilhete assinado. Bastava minha presença para trazer o que fosse preciso. O acerto de contas era assunto a ser tratado posteriormente. Coisa de adultos.

Quando chegava o verão, eu podia inclusive dar-me ao luxo de passar pelo mesmo armazém e apanhar um refrescante sorvete de palito. Claro que resguardados certos limites – levar o time de futebol para compartilhar desse privilégio era atitude passível de severa punição: a perda da confiança de meus pais.

O dono do armazém consentia com esse procedimento Continue lendo...

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