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Efeito Candy Crush

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Sabe aquele dia em que você chega à empresa com a importante missão de enviar um orçamento para um cliente, mas, quando abre a caixa de mensagens, vê o e-mail daquela maravilhosa liquidação que tanto aguardava?

Diante da tentação, em vez de preparar o orçamento, você resolve espiar as ofertas. Pouco depois, o telefone toca. É seu funcionário dizendo que está preso em uma blitz policial porque a documentação do veículo da empresa está vencida. Então, você larga o que estava fazendo e vai até o local resgatar seu colaborador. Chegando lá, descobre que terá de terminar as entregas programadas para aquela manhã.

Então, um dos seus melhores clientes fica tão feliz com a sua visita que não o deixa sair sem antes tomar um delicioso cappuccino que só a secretária dele sabe fazer. É aquele tipo de pessoa que gosta de contar histórias e isso lhe toma um tempo precioso que não poderia desperdiçar. Saindo de lá a fim de retornar para a empresa, você pega um grande congestionamento que o faz chegar já próximo da hora do almoço de negócios marcado com outro cliente.

Durante o almoço, você recebe um telefonema do gerente do banco dizendo que precisa conversar com urgência sobre um cheque que foi depositado em sua conta. Isso o faz seguir do almoço direto para o banco. Quase no final da tarde, você retorna para a empresa e se envolve em outras atividades triviais. Termina o dia com baixa produtividade e, pior, aquele orçamento imprescindível que deveria ser enviado pela manhã será protelado para, quem sabe, o dia seguinte. À noite você chega em casa cansado, deita no sofá, saca o celular e abre um aplicativo. É o seu momento de descanso, o momento de relaxar com aquele joguinho viciante.

Esse cenário lhe parece familiar?

Em abril de 2012, uma empresa chamada King Digital Entertainment Plc. desenvolveu um simpático game de combinar doces chamado Candy Crush para o Facebook.5 Com apenas dois episódios e dez níveis, o jogo era embalado por uma música gótica e uma locução com uma voz grave e perturbadora que conseguia sequestrar a atenção das pessoas. Em alguns meses tornou-se um fenômeno mundial. A ideia simples de combinar os doces em uma interface muito atraente o faz parar de pensar por um momento nos problemas e exercitar a boa distração, ou o que chamo de higiene mental.

Baixei o jogo em meu celular por mera curiosidade. Em minhas viagens via as pessoas jogando por todos os lugares, nos aeroportos, dentro dos aviões, durante as aulas, em salas de cinema, filas de banco… Todo mundo: crianças, jovens, adultos, homens, mulheres, executivos engravatados, todos, sem distinção, tinham seu momento para o Candy Crush. Como um vírus, Candy Crush se espalhou pelo mundo sequestrando a atenção de milhões de pessoas. Dois anos depois de seu lançamento, tornou-se um arrebatador de mentes que gastam o tempo tentando combinar doces nos 605 níveis distribuídos em 40 episódios.

Candy Crush, assim como outros jogos, virou um ponto de fuga para muitas pessoas, pois tem o poder de distrair a mente e aliviar a pressão. É um analgésico mental que corta a ansiedade, o faz esquecer a depressão e neutraliza a raiva, mas por pouco tempo, pois, ao fechar o aplicativo, todos os problemas retornam ao picadeiro da mente.

Não existe ser humano que não tenha ao menos um problema que o deixe ansioso, deprimido ou com medo. Não existe também quem não tenha seu momento de relaxamento, ou seja, um ponto de fuga, um lugar seguro para se esconder, mesmo que por pouco tempo. Esse momento de fuga cria, entre você e o problema, uma barreira, que surge quando você está mergulhado em um jogo atrativo, quando coloca fones de ouvidos para escutar música ou quando aluga filmes para assistir no fim de semana.

O problema é que hoje ficou muito fácil fugir dos problemas. Jogar, assistir televisão, ir a um barzinho, navegar nas redes sociais, comer doces… Tudo isso alivia a tensão e cria essa névoa temporária, mas o problema real permanece e, no fundo, todos reconhecem isso. Talvez seja o filme que você protagoniza todos os dias. Já parou para pensar sobre como você foge dos seus problemas?

Em 1619 as pessoas também tinham problemas, mas não tinham muitas opções de entretenimento a fim de fugir deles. Assim, passavam o tempo pensando em soluções para seus conflitos. Faziam uma higiene mental construtiva.

René Descartes, por exemplo, filósofo, físico e matemático francês, foi convocado para a guerra e enviado para o campo de batalha.6 Ele estava em apuros, tinha um sério problema. Seu momento de relaxar era usar o melhor aplicativo disponível na época para pensar: o cérebro. Pensar sobre a situação que vivia, a condição humana.

De tanto pensar em soluções para as dúvidas da própria alma, na noite de 11 de novembro de 1619, ele sonhou com um método quase matemático para explicar a constituição do pensamento. Na manhã seguinte, na monótona trincheira do campo de batalha em que ele servia, Descartes começou a escrever o Discurso do método, um dos livros mais influentes da filosofia. Vale ressaltar: nessa época, Descartes tinha apenas 23 anos.

Quando sua vida se resume a apagar incêndios o tempo todo, ou seja, uma luta diária para pagar as contas, um ritual que se resume em acordar–comer–trabalhar–dormir, significa que você está perdendo o sentido da vida. Em outras palavras, quando seu sistema atencional está impregnado de opções de entretenimento e sua mente não consegue mais selecionar aquilo que realmente é importante, perdendo-se em momentos ora de lucidez, ora de pensamentos desconexos, você começa a reforçar hábitos perigosos. O principal deles é fugir todas as vezes que se vê diante de um problema e não consegue controlar o foco a fim de encontrar soluções.

O cérebro como foco e disciplina / Renato Alves


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